A Concha Vinhateira
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Quando subimos do rio para Norte, ou descemos das Serras para Sul, passamos sempre a fronteira entre o xisto e o granito, mas vamos sempre ao encontro dos montes e dos planaltos que desenham as bacias do Douro e dos seus afluentes. Aí, a pele da montanha de xisto é feita de cepas, nuas ou cobertas de parras e uvas, dando à paisagem a capacidade de ao longo do ano se comportar como camaleão gigante, mudando de cor em cada estação. Aqui e ali, lá estão os aglomerados de telha vã cobrindo casinhas de cal onde a vida se resguarda e assinala com sinais de fumo, ou, templos de fé que ao domingo se enchem de corpos cansados de trabalho sem horas. São os oásis onde nascem, vivem e morrem os artífices do bordado duriense – os homens e as mulheres que desafiam a dureza da pedra para lhe extrair a ambrósia dos deuses – o vinho fino do Douro, a que o mundo chama “Vinho do Porto”. Por dentro de cada um destes “Lobrigus” de vida há inimagináveis relicários de história e beleza – Santa Marta de Penaguião é um desses paraísos, abraçada por duas serras e dois rios que a transformam na mais bonita concha duriense. |
